quinta-feira, 8 de outubro de 2009

do embotamento

Estava em paz.
Estava.
Havia conseguido alcançar o conformismo.
Tudo bem a falta dela, deles.
A linha que separava essa pseudo-cura da dor era tênue, tanto quanto o 'mizinho' de uma craviola.
Pois bem, e por andar o mundo camonianamente desconcertado, fez-se o contato.
Não por vontade (apesar de haver muito dela vivendo, sobrevivendo nisso tudo), nem intencionalmente, nem ocasionalmente.
Houve.
E sabe-se lá como.
Daí foi o esquecimento encenado em vão e o esforço e o fingimento e o que mais pudesse.
A ausência agora haveria de consumi-lo.
E consumiu.
Sumiu.


de 18 de julho de 2008, mas o mesmo feeling hoje

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Não que soubesse eu, sob toda minha doação e intensidade verdadeiras, nos gestos loucos e sinceros, nas saudades que angustiam e desesperam, que aqui chegaríamos. Mas não me poupei, não nos poupei. Fui. E agora que penso muito nessas coisas nossas, que penso quase que todo o tempo nelas, é justamente agora que me encontro em meio a mundos de questionamentos. Questionamentos sobre até onde vamos, e como vamos, e ainda mais (e sempre!) se vamos. Às vezes penso se isso, se esse medo e desespero da perda, se essa temência ao fim, afeta a mim somente. Mas juro que não sei a resposta. As respostas. E sei muito menos se sabê-las me resgataria.

sábado, 25 de julho de 2009

Loucura então é o que tudo virou se já cogito a única coisa que pensei que nunca me passaria pela cabeça: desistir, tentar esquecer. Tudo que sou, todo o tanto que tento me doar, o mundo de coisas que digo e que são de tudo verdade... Parece nada te servir, te preencher. E se for isso mesmo, de nada meu, nada em mim, ser suficiente pra você, acho que não sei mais o que possa te mostrar de mim que te traga. Me diz alguma coisa, Bonita, só diz. Seja o que for, me diz alguma palavra, me salva desse nó que é não saber de nada, de onde você está, do seu telefone, da sua vida. Me salva disso. Eu te amo, Bonita. Muito que nem sei dizer, mas que você sabe quanto é. Não há como crer em algumas filosofias sem que você exista em mim, comigo. Aqui em mim, aqui dentro, bem dentro, ainda é tudo como tenho te dito ser há anos. Confie.

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Muito te disse ontem, numa madrugada nossa, sobre tanto do que é nosso, em meio ao projeto de alcoolismo que nossas vidas concretizam mais e mais, a cada dia. Aliás, muito tenho te dito há tempos já, desde dias que não sei calcular nem registrar. A lembrança que tenho foi de descobrir em algum momento que a gente ama igual, que a gente dói igual. E tenho te escutado muito, de ti, sobre ti. Tens me contado de você até os ossos e é por isso que me apaixono, por saber-te infinitamente, por todo o tanto que você se importa, por esse tanto absurdo que você me deixa te invadir, sem medo algum. Porque eu sei que é assim que você quer que seja e é assim que eu quero também. A cidade das luzes, pra mim escura e esmagadora, fez de ti meu livro preferido, te transformou na minha casa de palavras, no meu universo do dizer. Você é poeta, hermanita, é filósofa do amor. Te contei que a cidade vai te ensinar muito e um dia te dar uma chance de fugir dela e de se salvar dela e que essa chance é só uma e se você não se for ela te suga, te traga, te afunda no poço dela, na lata de lixo que ela é, tranforma você em só dor e solidão e cinza e mais nada. É onde quase todos estão já, nesse poço, nessa lata de lixo, nesse abismo sem volta, no fim do fim, no 'poço do poço', como diria o nosso Caio. A gente vai saber a hora de se salvar, hermanita, certeza essa é a minha maior. Somos iguais, sabemos.

terça-feira, 16 de junho de 2009

black birds tattoo

Expelir: é a palavra que loucamente procurei para que eu pudesse me explicar, te dizer sobre mim, dos pés à cabeça. Todo esse meu-eu só nasce pra fora, só cresce pra fora. Vai fervendo, jorrando, querendo sair, escapando. Explodindo. Não se afete por mim, porque vou te contar uma verdade. É que eu tenho asas, eu sumo quando quero, eu sumo uma hora ou outra. Eu vou sumir, aceite. O meu mestre, C.F.A., já disse e já explicou que é "difícil seduzir os que tem asas" e eu, responsavelmente, quero só reiterar isso. Entenda.

domingo, 31 de maio de 2009

As vezes dói saber-te. Aliás, retifico e digo que a dor de saber-te é uma constante. Dói saber-te longe ou saber-te perto. Dói saber-te vivo. Mais ainda dói saber-te vivo e não-meu. Dói saber-te (sendo) dela. Egoísmo, sim, mas dói também (e até isso dói) saber-te feliz. Dói saber-me desarmada de uma ação qualquer diante de tudo isso sobre ti. Sobre mim. Parece ser tudo uma dor constante, sem fim próximo. Não sei mais se consigo suportá-la e sei menos ainda se há como cessá-la. É amargo que rasga a pele. É.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

E ainda em toda vez que chego à casa, cá, é o pensar nas santas sextas no bar, a embriaguez louca e linda, toda a insanidade que só o rock paulistano pode, a paixão que bate na cara (e com força!), o cheiro de cigarro na roupa, o amor que ficou. É a dor e a saudade. O sono louco pós-rock, o sol das 6 da manhã e os pés que doem. Os anos 80 na pista e o saudosismo em erupição, a dancinha ingênua e sincera, cada movimento que existe porque não poderia não existir. A vida que não pára e nem descansa, nem um segundo sequer. Lá é tudo correria, é tempo louco, é pressa, pressa de ser e estar. É querer louco, vezes cem, vezes mil. São tristezas várias, dores muitas e risos também. É tudo muito e quase tudo dói. Dói lá e dói cá, quando chego querendo voltar. Mas eu não posso, honey. Lá é amor sem eira nem beira, que dói, que bate e lapida e cá é romance, entenda. A veia tem agora outra sede. Me deixem cá, que fato é o que já é consumado, que muito menos que seja possível calcular e sem me dar conta vou me pegar na estrada involuntariamente, correndo, na pressa de voltar ao amor sem eira nem beira, que é veia que pulsa sempre mais, queira ou não, bem ou mal.

terça-feira, 12 de maio de 2009

15 de fevereiro de 2008, por mim:

"A coluna dói, os dedos e pulsos doem, a visão se cansa, mas tudo por mais alguns minutos na frente da tela do maldito computador, na sede de mais algumas palavras..."

Hoje, mais de um ano de depois, tô sentindo igual, igualzinho. O contexto é outro, mas a sede é a mesma.

domingo, 3 de maio de 2009

E como eu senti falta disso eu, e só eu mesma, sei. Uma coisa toda de ficar a te observar com seu cigarro, seu mundo de cabelos, andando de um canto pr'outro do meu quarto, mostrando todo sua arte (corporal), seu corpo, seus tiques e seus vícios. Aí logo depois disso (ou antes, porque tanto faz a ordem) a gente sentando no chão, lendo eu pra você (me lendo, aliás), você pra mim, e falando de vazio e do desespero incessante que isso traz, de envelhecer, de ser só no mundo (ou só em qualquer lugar ou coisa ou pessoa ou situação ou tudo), de medo(s) e de tudo o que nos vier à mente. Ah, como você é bonita.
Eu sou aquilo que perdi.

sábado, 2 de maio de 2009

o que é inexprimível

Eu sonhei sobre você e te contei que sonhei. Foi sobre amor, sobre amar. O sonho. Um ou dois, ou não sei bem quantos dias antes eu te 'cantei', ou melhor, te escrevi, aquilo que Cazuza já sentiu e mais, certamente, o mundo todo, imagino. E foi isso: eu preciso dizer que te amo, te ganhar ou perder, sem engano. Eu disse e tô sempre por aí gritando que te amo. E eu te perdi, sei, mas ainda não foi sem engano, acho e sinto. Por isso ainda me retorço e acabo te procurando. Sei já que não funcionam as promessas que me faço de me calar e me fingir forte. Te procuro e te acho meio embaçado, atrás dos copos e das garrafas das mesas dos bares que a gente insiste em ir junto. E só assim mesmo te acho, dessa forma amorfa. Aí a gente tenta fugir e fingir que nada aconteceu e que continua tudo igual, exatamente como antes. Sobre você não sei, mas pra mim não é igual, forço tudo, forjo tudo. E eu tô me perdendo nesse tentar exprimir e me perdendo nesse sentimento sobrevivente e não sei mais em quê, mas tô.

domingo, 5 de abril de 2009

Não mais sei da palavra que travou aqui, cá na goela. Saudade toda essa, essa loucura toda que me cava, coisas essas que assim estão me segurando e engasgando a tal palavra, que não é só uma, sei. E só isso sei. É pavoroso. Não saber dizer, odeio. Mas sentir eu sei e estou sentindo loucamente, animalmente, não só na mente, fato. É na mão, no estômago, na garganta, no corpo todo... Tudo doente. Te queria aqui pra sentir junto de mim, tudo!, pra eu poder sentir mais que de fato, pra eu sentir não só aqui em mim, mas em mim e em você, por mim e por você. Por nós, enfim. Por tudo nosso, pela vida nossa, que foi um dia nossa, penso. Penso não, sei. E mais, sinto. Que é assim que imagino que a completude seja. Vem aqui e só isso. Só vem. Só. O resto a gente decide depois.

segunda-feira, 23 de março de 2009

daquilo que ainda sobrevive

Hoje é o dia de anular as angustias, sempre tantas e tão cultivadas. Nem que seja anular só por hoje. Vou ouvir e dançar toda essa música latina que fica soando pela casa o dia todo, saindo dos violões por aqui. Afinal, você sumiu por aí, pelos vãos loucos da cidade louca. Não te acho mais, tá perdido emaranhado pelos mundos por aí. Essa música triste soando infindavelmente é tudo o que me resta. Ouço. Criei até uma certa devoção nisso de ouvir e ir lembrando e sentindo e indo, como se fosse hoje tudo que passou, como se você ainda estivesse por aqui, pelas proximidades. Não é assim que é. Só era, há tempos. Mas é tal como quero que seja, que volte a ser.

sexta-feira, 20 de março de 2009

Há tanta coisa para ser escrita, ser dita. Eu queria ser maior que todas elas, mas não sou, é impossível. Essas palavras todas a serem ditas e escritas se amontoam sobre mim e eu sumo na presença delas todas. São quase um mundo, ou mais que um mundo, bem mais que um mundo. Fico cá sentindo o perigo e o medo de esquecer de dizer uma palavra que seja, tudo que está aqui comigo contido há de sair. Não posso falhar em te fazer entender exatamente o que eu sinto. E se vai ou não ser passageiro, não vem ao caso, pra mim ao menos isso é caso à parte. Quero saber do que sinto agora, de todo esse tanto que preciso te ter, da forma que for. De todo o tanto que quero dormir com você.

segunda-feira, 9 de março de 2009

'Talvez o mundo não seja pequeno
Nem seja a vida um fato consumado
Quero inventar o meu próprio pecado
Quero morrer do meu próprio veneno
Quero perder de vez tua cabeça
Minha cabeça perder teu juízo
Quero cheirar fumaça de óleo diesel
Me embriagar até que alguém me esqueça'

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

O ar e o vento

'Pelos caminhos vou, como um burrinho de São Fernando, um pouquinho a pé e um pouquinho andando.
Às vezes me reconheço nos demais. Me reconheço nos que ficarão, nos amigos abrigos, loucos lindos de justiça e bichos voadores de beleza e demais vadios e mal cuidados que andam por aí e que por aí continuarão, como continuarão as estrelas da noite e as ondas do mar. Então, quando me reconheço neles, eu sou ar aprendendo a saber-me continuando no vento.
Acho que foi Valejjo, César Valejjo, que disse que às vezes o vento muda o ar.
Quando eu já não estiver, o vento estará, continuará estando.'


Eduardo Galeano, O Livro Dos Abraços.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

A gente mergulhou num mar que é o mar da felicidade. É um oceano todinho. Quilômetros infinitos desse mar, desse oceano, nos ladeando, rodeando, afogando. Mergulhamos juntas. É uma loucura de querer bem. É concluir a não existência daquilo que chamam de limite. Tá tudo rosa, verde, amarelo, laranja... Tudo são cores. Tudo tá colorido. Arco-íris. O róque tá mais róque que nunca e a gente tem sambado absurdamente, nunca sambamos tanto quanto agora. E temos cantado muito mais, com toda a devoção que há em nós. Nosso baú tá aberto e as histórias e os fatos e os amores e os sentimentos e os quereres e os futuros borbulham, loucos querendo saltar pra fora, loucos na ânsia de serem compartilhados. Nada tem conseguido sufocar essa felicidade, só a felicidade que vem por cima, sobrepor essa. Isso sim sufoca. É felicidade sufocando felicidade. Uma sobre a outra, todas misturadas, todas juntas. A minha, a sua. A nossa. O turbilhão está na velocidade máxima, como nunca antes esteve. Mas a velocidade pode sempre aumentar, porque pra gente o limite não existe, não tem vez. Estamos sempre nos excedendo, em tudo. E estamos sempre explodindo. Tudo conosco só funciona se for intenso, é a doença que não nos larga. E nem sequer queremos que largue. Só funciona pra nós se for hipérbole. Nossa vida é um dicionário de hipérboles e superlativos.

domingo, 15 de fevereiro de 2009

É questão das difíceis de dissertar, isso sobre de onde veio esse gostar de você. Foge de mim detalhes como o dia exato, o momento certo, a hora da epifania que me disse que era algo sobre você que latejava no meu peito. Nada disso, não sei mesmo. E sei mesmo é que isso é o que não importa. Sei algo, sei que foi gradativo. Um dia era só te ver diferente, algo como te achar mais bonito de repente. Sem mais nem menos mesmo. O outro dia era um quê de ciúme que me cutucava sem piedade. E agora é querer beijar. Agora é você na minha lista de quereres. É tudo aquilo de a gente no sofá e pra mim o ambiente ficar denso, carregado, e aquela vontade contida (em mim), cravada em cada canto e quina. Tudo impregnado com o mais real que há de desejos meus. E eu e o meu desejo e o meu querer são tudo que tenho. Tudo de mais verdade. Tudo que mais me transborda. Vou te olhando e vou assim escorrendo e me desmantelando. Esvaindo... Sumindo...

Eu tô indo. Não pra sempre, sei. Até quando não sei. Te levar comigo, é o que vou fazer. Não em matéria, mas escondido em cada fibra que em mim há. Na carne, na alma, na mente, mais que tudo no peito, coração. Você já sabe de tudo, eu não ligo, não me importo. A distância que terei de você será só daquele algo a que chamamos quilômetros, do mais tudo será proximidade. Fora tudo isso regurgitado, que já acho muito, me calo. Estou indo pra longe, o peito apertado vai junto, a saudade e tudo o mais. Vai você também. E fim, por enquanto.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Sobre a ferida quase que incurável vinda da saudade que sua não-frequência vai me causar, digo que nem de longe é a primeira vez que eu penso nisso. Mas agora pensei com mais afinco. Diria até com mais desespero, por não só saber, mas sentir que a hora de ir tá bem próxima. Hoje está bom, mas tá doendo. A parede laranja, suas mil e uma camisas (bonitas), o peixe, os cd's em ordem alfabética (ordem a que eu jamais submeteria minhas coisas), os seus livros (que não pegarei mais emprestados semanalmente), seu cinzeiro laranja (que eu amo), seus olhos grandes entre esse mundaréu de cabelos desarrumados... Até os atos me fazem sentir que eu tô indo, você me dando seu último cigarro depois da meia-noite e deixando eu fumá-lo no seu quarto, na sua frente, sem sequer me pedir um trago. Vou te socar se você não sair desse computador agora e ir pra cozinha tomar um café comigo. Mas pode ficar aí mesmo assim, é bom, porque aí eu te olho e penso em mais algumas palavras bobas e bonitas pra registrar. Sei que lá pra onde eu vou não terá um esconderijo fora dos padrões espaço-tempo, que nem o nosso esconderijo. E se tiver também, pfff, de quê adianta?, você tá aqui. Mas vou te levar comigo, não me pergunte como, mas eu vou. Você acredita em mim, né? Eu sei que sim. Eu te amo.
Se não dormisse cedo nem estivesse quase sempre cansado, acho que esses pensamentos quase doeriam e fariam clack! de madrugada e eu me veria catando cacos de vidro entre os lençóis. Brilham, na palma da minha mão. Num deles, tem uma borboleta de asa rasgada. Noutro, um barco confundido com a linha do horizonte, onde também tem uma ilha. Não, não: acho que a ilha mora num caquinho só dela. Noutro, um punhal de jade. Coisas assim, algumas ferem, mesmo essas que são bonitas. Parecem filme, livro, quadro. Não doem porque não ameaçam. Nada que eu penso de você ameaça. Durmo cedo, nunca quebra.

C.F.A.

Já tá tudo quebrado na verdade. E tem mil pedaços de nós por aqui, por lá, em tudo, na cidade toda. Nunca cheguei a pensar em ver tantos de nós, tão multiplicados. Quis sempre que fôssemos um só. Mas a idéia de muitos, se não fosse tão assustadora e dolorida, seria bela e poética, ao menos.

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Aquilo tudo me irritava, sabe?, me deixava intrigada e, mais que isso, constrangida. Eu não poderia me sentir de outra forma ao presenciar vocês dois, você e alguém que não eu. Será realmente tão difícil pros seus olhos e seu coração enxergarem que toda a minha simpatia e naturalidade eram falsificadas? Por que diabos você vê necessidade e acha essencial que sejamos amigos depois de tudo, depois da gente? Não acho que eu deva me dedicar a isso e nem vou me esforçar. Não consigo te olhar e enxergar algo que não nós dois num mesmo cômodo. Vejo em você o motivo dos meus dias bons, das minhas insônias, dos meus momentos de cólera e de exacerbação, das minhas tentativas em vão de tornar inteligível o amor que eu sentia (sinto, aliás). Não te quero dessa forma, isso não me preenche, entende? Não me agrada e, então, eu não quero. Ou você senta no meu sofá, me serve um vinho barato, coloca um bolero melancólico qualquer pra tocar e me beija e me ama, ou me deixa de vez, pra eu curtir minha dor, sofrer dela até a última gota e última palavra amarga que eu consiga escrever. Que eu possa chorar todo meu pranto e possa pensar todos os pensamentos de vontade de morrer. Essa relação morna e esse fingimento não me servem, joga no lixo isso tudo, não quero saber que você me considera muito por tudo que passamos juntos. À merda você e seu respeito por mim e pela nossa história. De nada me serve isso. À parte meu inconformismo e tudo isso por que me revolto, estou a te esperar voltar. E isso será sempre.
Pro meu próprio conforto resolvi adotar para todos os atos que tive contigo a teoria de que o que fiz foi por amor próprio, não por egoísmo. Era mais fácil pra mim me achar menos cruel. Amor próprio seria mais 'engolível'. Mas você entende que eu precisei disso, precisei ser assim? Que outra opção você me deu, se seu jeito de me amar com toda aquela inconstância fez de mim uma amante neurótica? Eu mais pensava onde você estaria?, com quem?, por quê? e fazendo o quê?, do que pensava em noites, garrafas, pernas e palavras. Eu quando estava com você me encontrava mais tentando sugar o que você estaria pensando do que me encontrava entre seus toques, braços e lençois. Tudo que vinha de você, pra mim, havia de ter um motivo, um porquê. E eu não aceitava que esse porquê podia ser o amor. Maldição. Agora eu consigo entender o seu amor, mas só agora, de longe. O seu amor queria ser perfeito comigo. Era silencioso quando precisava ser; e não era inconstante, era apenas sua tentativa de não me sufocar. E eu transbordei egoísmo, não quis te amar, quis te possuir, cega e perdida em ambições vazias e sem propósito. Agora eu sei que você me amou. Agora! Só agora.

domingo, 25 de janeiro de 2009

algo sobre saudade

É da saudade, é dela que isso-tudo vem. Isso-tudo que digo é aquilo de vazio misturado com amargo e doce, mas só um pouco de doce. É, só um pouco, o pouco que vem da lembrança boa, da lembrança que é mãe dos sorrisos do-nada, de canto, saudosos. É saudade de vida que já aconteceu e, mais e muito mais ainda, que não aconteceu. É uma fome de situações presentes. Não que as tais não existam, mas existem esvaziadas de sentido, de devoção da minha parte para com elas. Algo que não sei que tem de vir e suscitar emoção. Só não sei ainda lhes dizer que algo e que emoções, isso fica por parte do que vier e como vier. Mas que venha! É disso que reclamo e me martirizo, de não vir aquilo que, como já disse, não sei o quê. Mas explicações recheadas de palavras à parte, resumo dizendo só que é saudade. É ver um só rosto em dez mil outros, ou é querer achar o tal rosto em todos os tais lugares que eu vá. E saudade pra mim é uma doença quase que sem cura. A única cura possível é matá-la, é encontrar o algo que faz da saudade a saudade, que a alimenta. O oposto, leia-se o mais habitual, é padecer da doença. Um dia e uma hora você se acostuma a ela, mas com o porém de que sobreviver assim é o tal do muito-amargo-pouco-doce. Eu, passional que sou, e como!, padeço da doença e gosto. Desgosto também, fato, mas isso é caso à parte. Da saudade que sei, essa que carrego, quero matá-la, mas quero também cultivá-la. Imagino a pergunta agora: por quê? Simples vou dizer, espero que simples entendam, é que preciso sofrer. Sim, believe me, preciso. Se não sofro, ah se não sofro, te digo o que acontece. Sem sofrer sei que sou vazia, sem nada-ninguém, sem porquês de ser e estar, não estou pra prosa nem pra poesia. E quero tudo, me afogo em lágrimas se preciso, ouço músicas tristes e me retorço até doerem todos meus músculos, viro alcóolatra-fumante-viciada. Fico entregue, enfim. Vazia? Não, vazia não. Jamais. Isso pra mim é o que não quero. Por isso da minha saudade, essa mesma que reina e traz dor, me orgulho dela. Carrego em mim e digo que sim, há em mim isso, há algo, mesmo que só saudade.