Se eu tocasse algum instrumento
ia querer aprender a compor
pra conseguir te dedicar minha valsa mais bonita
poderia ser rock ou a bossa...
O que for.
Queria te ser meu desmedido amor.
Talvez que fosse o mais correto
que pudesse ser pra você cada mililitro de lágrima minha.
E que todos meus orgasmos – os loucos infinitos ou os fininhos ou abafados – fossem por você.
Daí eu acho que achei o meu problema:
eu decidi o amor da minha vida muito cedo?
Me poupei da facilidade da escolha,
ou do suposto prazer de procurar bastante.
(Não sei mais ao certo o que é facilidade
ou o que é suposto.)
Em cada bar ou sala de aula ou
cada festa ou show.
Em cada micro universo.
Eu não tive até agora nada disso
de bom pra te dar:
a certeza,
a escolha.
Tudo que posso te oferecer é a minha inconsequência
e o meu despreparo pro amor.
terça-feira, 3 de abril de 2012
terça-feira, 15 de novembro de 2011
"Posso até querer te falar como estou
Mas não vou
Prefiro ficar mudo
E deixar a dor sangrar em mim"
me sinto com uma úlcera em cada momento que te vejo numa vida. numa vida em que eu não existo, onde parecem proliferar bolhas brilhantes e estrelas e símbolos ridículos de felicidade, enquanto eu estou aqui miserável, há mais de um, dois, três, quatro, cinco... há mais de não sei quantos anos procurando o atalho mais curto pra apagar você. pra você deixar de ser qualquer realidade possível na vida que deveria ser só minha. e você nem sabe de tudo isso. eu não existo em nenhum verbo seu. eu poderia escrever você por séculos sem você nunca imaginar, quando eu só quero gritar, PORRA! te gritar pra você se refletir e se reencontrar em mim. eu poderia me calar. poderia engolir toda minha úlcera. mas eu não posso te deixar ir assim tão fácil. e é tão difícil ir te deixando ir. eu não sei até onde meu silêncio te permite ir. não sei até onde todos os meus gritos te resgatariam.
sexta-feira, 30 de setembro de 2011
Meu bem, me perdoe a ausência
Me perdoe a fuga e também todo o medo
Cada dia que te nego ou te escapo seja, talvez, uma morte dentro de mim
As dores de outros tempos se fazem sempre tão atuais
Os outros enganos meus, que penso latentes, são tão diários
Me empedrecem tanto
Me apedrejam tanto
Que só entre frestas e brechas te vejo entrar
Como sol de inverno
Que é o único que aquece a vida nesses dias tão gelados
Me perdoe a fuga e também todo o medo
Cada dia que te nego ou te escapo seja, talvez, uma morte dentro de mim
As dores de outros tempos se fazem sempre tão atuais
Os outros enganos meus, que penso latentes, são tão diários
Me empedrecem tanto
Me apedrejam tanto
Que só entre frestas e brechas te vejo entrar
Como sol de inverno
Que é o único que aquece a vida nesses dias tão gelados
sexta-feira, 15 de julho de 2011
segunda-feira, 20 de setembro de 2010
domingo, 18 de julho de 2010
tenho pouco tempo.
dentro dele, tudo a dizer,
tudo que puder sair voando dos meus lábios,
feito fadas de asas,
feito a música produzida pelo cosmos.
é assim que quero que pareça,
que soe bonito assim,
que pulse, furta-cor, no ar.
tenho pouco tempo,
pouca coragem,
pouca fé.
o amor estilhaçou tudo,
estilhaçou meu tempo,
minha coragem,
minha fé.
mas eu preciso lhe dizer
e por isso fico sempre de cabeça baixa,
olho pro chão, cato os caquinhos
desse meu tempo,
dessa minha coragem,
dessa minha fé.
os cacos de tudo meu tudo em mim
tudo de dentro que o amor estilhaçou.
o amor estilhaçou meu corpo. e meu tempo é pouco.
o tempo de um cigarro:
tudo que a carnadura,
a pouca que me resta, ainda não estilhaçada,
pode ter.
"vou dizer, amor de mim, calma!,
que no tempo desse último cigarro vou dizendo."
choro, na primeira metade do meu curto tempo,
curto cigarro.
ainda sei chorar.
outra metade e perco meu chão,
depois meus pés,
depois os olhos, depois tudo.
o corpo. perco o corpo.
e meus porquês.
você não ficará.
e sabendo disso olho pro chão, então.
meus cacos todos lá,
espalhados novamente. mais estilhaçados.
num ato que, acredito, já ser automático,
volto a recolher caquinhos de vida pelo chão.
e assim, nisso de amar, a cada vez, recolho menos cacos.
uns se perdem, me fogem aos olhos.
morrer deve ser não se ter mais cacos pra recolher.
dentro dele, tudo a dizer,
tudo que puder sair voando dos meus lábios,
feito fadas de asas,
feito a música produzida pelo cosmos.
é assim que quero que pareça,
que soe bonito assim,
que pulse, furta-cor, no ar.
tenho pouco tempo,
pouca coragem,
pouca fé.
o amor estilhaçou tudo,
estilhaçou meu tempo,
minha coragem,
minha fé.
mas eu preciso lhe dizer
e por isso fico sempre de cabeça baixa,
olho pro chão, cato os caquinhos
desse meu tempo,
dessa minha coragem,
dessa minha fé.
os cacos de tudo meu tudo em mim
tudo de dentro que o amor estilhaçou.
o amor estilhaçou meu corpo. e meu tempo é pouco.
o tempo de um cigarro:
tudo que a carnadura,
a pouca que me resta, ainda não estilhaçada,
pode ter.
"vou dizer, amor de mim, calma!,
que no tempo desse último cigarro vou dizendo."
choro, na primeira metade do meu curto tempo,
curto cigarro.
ainda sei chorar.
outra metade e perco meu chão,
depois meus pés,
depois os olhos, depois tudo.
o corpo. perco o corpo.
e meus porquês.
você não ficará.
e sabendo disso olho pro chão, então.
meus cacos todos lá,
espalhados novamente. mais estilhaçados.
num ato que, acredito, já ser automático,
volto a recolher caquinhos de vida pelo chão.
e assim, nisso de amar, a cada vez, recolho menos cacos.
uns se perdem, me fogem aos olhos.
morrer deve ser não se ter mais cacos pra recolher.
domingo, 20 de junho de 2010
you don't know me at all
me sinto uma piada. sou uma falsa fortaleza. a falsa madura. a falsa segura. eu sou joão-ninguém, maria-ninguém. eu não tenho ninguém. e não tenho a mim por muitas vezes, porque desacredito de mim mesma a todo tempo, to-do-tem-po, com tanta ênfase desse jeito assim. me sinto no cerne de tudo, no centro de tudo, inserida e, irremediavelmente, não posso sair não consigo sair não sei se quero sair não sei nada. não vou sair, e isso é meio que uma certeza daquelas absolutas e cruéis, maldosas, fatídicas. isso tudo é areia movediça. tenho me sentido cansada, tão cansada... eu sou uma piada.
you don't know me
bet you'll never get to know me
you don't know me at all
feel so lonely
the world is spinning round slowly
there's nothing you can show me
from behind the wall
you don't know me
bet you'll never get to know me
you don't know me at all
feel so lonely
the world is spinning round slowly
there's nothing you can show me
from behind the wall
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